The Boys – série da Amazon Prime

A melhor forma de descobrir quem uma pessoa é de verdade é dar poder para ela. Quando a pessoa pode fazer o que ela quer com mínimas consequências é que você descobre se ela é santo ou facínora. O poder corrompe. Então se super-poderes fossem realidade, eu acredito firmemente que a maioria dos super-heróis não seriam os Vingadores tentando salvar o mundo. Seria um bando de cuzão.

E qual poder corromperia mais do que poder matar alguém com um olhar e seguir sua vida como se nada tivesse acontecido? É uma pergunta que The Boys levanta, série da Amazon Prime baseada nos quadrinhos de mesmo nome que também segue na onda das histórias de desconstruções dos heróis, como Wild Cards, que vimos recentemente no canal. Desta vez, ao invés de abordar de apenas como o super-heróis seriam usados como armas, aborda como eles seriam usados como produtos.

O quadrinho original, escrito a partir de 2006 por Garth Ennis e Darick Robertson, é ambientado em um mundo igual aos nossos que super-heróis, além de enfrentar o crime, são celebridades que aparecem em talk shows e evento de caridade, mas atrás das câmeras um mais desgraçado que o outro. Um é sádico, outro é o religioso que prega Jesus e vai na orgia, um usa a invisibilidade pra quê? Ficar escondido no banheiro feminino.

Os mais poderosos são Os Sete, imagine os Vingadores só que controlados por uma corporação midiática, a Vought, que aprendeu que não adianta só ter superpoderes, é preciso ter super assessoria de comunicação também para fazer dinheiro de verdade com os supers. Eles são mais que uma equipe de super-seres, são uma marca, uma franquia. O líder deles é o Capitão Pátria, mistura de Superman com Capitão América só que um sociopata com complexo de Édipo que acha que é Jesus Cristo.

E eis que entram os tal Boys, uma equipe de humanos que tiveram grandes perdas nas mãos dos supers, sabem como eles são por trás das câmeras e são obcecados em arrancar as asas desses semideuses. De preferencia matando eles.

O show alterna violência brutal com humor, às vezes mistura as duas coisas. Quantas séries ou filmes que você já viu alguém morre com um supositório explosivo? Karl Urban está excelente como o líder do grupo, Butcher, e gosto que a primeira temporada tem apenas oito episódios, evitando aquelas “barrigas” que acabam existindo em muitas séries de 13 episódios de super-heróis da Netflix.

A série contém bastante sexo e violência, mas um pouco menos que os quadrinhos, que afinal tem um arco inteiro que se passa em um prostíbulo para super-heróis com prostitutas dopadas para aguentarem sexo com seres com super-força. Mesmo assim, prepare-se para cenas como gente tendo a cabeça esmagada fazendo sexo oral ou transformada em uma sopa de osso, carne e sangue pela passagem corriqueira de um herói.

Eu acho que The Boys curiosamente se tornou ainda mais atual hoje do que quando lançado em seu tema das junções de super-heróis e corporações, porque pelo sucesso da Marvel isso se tornou algo comum no nosso mundo. Como é no final tolo ser fã de uma marca. E por mais que superpoderes não existam no nosso mundo, a desigualdade de poder entre as pessoas existe. Você pode destruir alguém tanto com superforça quanto por supremacia econômica.

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