Spin, de Robert Charles Wilson đź“– Leituras do Solari #128

Épico acompanha a história da Terra quando as estrelas apagam dos céus por bilhões de anos

A história de Spin começa, diz o livro, “depois de amanhã”. Um grupo de garotos está observando os céus em uma noite tranquila quando as estrelas e a lua se apagam subitamente do céu. Como se Deus tivesse desligado a caixa de força do Universo.

O Sol, curiosamente, dá as caras na manhã seguinte, mas as investigações revelam que se trata de um simulacro, um sol projetado apenas para manter a vida no planeta, que é cercado por uma misteriosa membrana. Além de interceptar a luz, essa barreira faz com que o tempo passe mais rápido na Terra do que no restante do Universo. Muito mais rápido. Nos trinta e tantos anos terrestres que a história engloba, se passam mais de 300 bilhões de anos no exterior.

Spin foi o vencedor do Prêmio Hugo em 2005 e foi escrito por Robert Charles Wilson, também responsável por Darwinia. Trata-se de uma ficção científica no estilo “hard”, ou seja, criada a partir de pesquisa rigorosa, particularmente na física e biologia, com doenças fictíceas de surpreendentemente profundidade entre os sobreviventes do evento que assola o planeta.

Há um crescendo intrigante na história conforme as pessoas descobrem aos poucos do que exatamente se trata a membrana e quem teria fez isso, alienígenas chamados de “os hipotéticos” pela imprensa. Os anos vão transcorrendo e o leitor acompanha como seitas religiosas surgem e caem, novas ordens políticas aparecem, conflitos pipocam, interesses cruzados se chocam. As descrições são bem realistas e parecem ser mesmo algo que você leria na mídia depois que algo semelhante àquele evento, chamado de Spin, acontecesse.

O artifício da mudança relativa do tempo também é empregado de forma bastante inteligente. Em determinado momento, é delineado um ousado plano de colonizar Marte como forma de perpetuar a raça humana. Como o tempo passa exponencialmente mais rápido fora da Terra, os foguetes com microorganismos lançados em intervalos de poucos minutos uns dos outros, chegam a marte com centenas de anos de diferença e vão por milhões de anos criando uma atmosfera no planeta vermelho. Colonos humanos são enviados e em dois anos um dos representantes retorna à Terra. Membro de uma civilização de mais de 100 mil anos de tradição que os terráqueos criaram há apenas dois anos atrás.

Uma crítica que faria ao livro, é que ele poderia ser mais curto. A história se alonga demais, e possui um par romântico que não me criou lá muita empatia. É difícil nos dias atuais encarar um casal que se ama platonicamente por décadas, pois “algo os separa”. O autor poderia se concentrar mais no intrigante mistério do Spin do que em pares clichês. Após a tensão também ser segurada por tanto tempo –o livro tem mais de 450 páginas na versão dita “pocket”- eu imaginava que apenas um final muito genial poderia fechar a coisa de forma satisfatória, e infelizmente ele não veio.

Objeções menores, no entanto. Spin me lembrou das teorias de que o nosso universo é um simulacro, tipo uma caixa de Skinner para sermos estudados por uma raça superior. Ele então levanta a pergunta: o que faríamos se um dia encontrássemos o fim da caixa?

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