Revendo Seinfeld e The Office em 2018

Eu tenho o hábito de rever/reler meu filmes, séries e livros favoritos a cada 10 anos. É tempo o bastante para você ter uma nova perspectiva, mas nem tanto para que você não mais reconheça sua opinião original. E, mais interessante que rever as obras, é rever a si mesmo e como você mudou com o tempo.

Seguindo então meu calendário saquei pra assistir novamente duas das minhas séries favoritas, Seinfeld e The Office – estão disponíveis no Amazon Prime – e tive experiências bem diferentes com cada uma.

Seinfeld começou devagar pra mim, comecei a ter momentos de riso mesmo lá pela quarta temporada. Os episódios clássicos continuam excelentes; Menino Bolha, Pagliacci, George o Biólogo Marinho, doideiras nonsense do Kramer, etc. Uma coisa que gosto da série é que os personagens são mostrados como mimados e mesquinhos e acabam sendo o alvo das piadas. Assim como o diálogo genial do roteiro.

Por outro lado, muitos dos temas do “programa sobre o nada” envelheceram muito mal pra mim. Em particular os segmentos de stand up com Seinfeld soltando suas observações do cotidiano. Eles eram inovadores nos anos 1990, mas ficam parecendo textão de Facebook em 2018. A impressão é que nós vivemos numa época saturada de discurso sobre o nada.

Já rever The Office foi uma revelação. Quando eu assisti a série pela primeira vez no final dos anos 2000 eu adorei o timing de comédia de Steve Carrell como Michael Scott, o gerente idiota, ególatra, mas de bom coração, da Dunder Mifflin. Mas se os tempos em The Office não mudaram tanto como em Seinfeld, quem mudou fui eu.

Eu tinha pouca experiência em empresas na época, só tinha trabalhado numa importadora minúscula e, acredite, como vendedor de luminária. Já o Solari de 2018 passou por grandes redações e já teve suas experiências de nonsense corporativo e com chefes que fariam Michael Scott realmente merecer a sua caneca de “melhor chefe do mundo”.

Claro que The Office tem muitas exageros, mas é impressionante como ela captura na mosca diversos aspectos da vida de escritório. Empregados com egos gigantescos para abuso dos pequenos poderes, dois pesos e duas medidas para funcionário e chefe, a arte de jogar a culpa no outro, a arte de procrastinar trabalho – que pode dar mais trabalho que o próprio trabalho! – as fofocas na copa, os vexames da festa da firma.

Os tempos mudaram e eu mudei. Eu era um adolescente quando vi Seinfeld e ria das piadas sobre hierarquia dos números do “speed dial” e sobre a fissura com secretária eletrônica. Eu começava a minha carreira de jornalista quando assisti The Office e não reconhecia toda a comédia que pode ser o mundo corporativo. E fico me perguntando o que o Solari do futuro vai achar dessas séries quando eu assisti-las de novo.

Bom, daqui a mais 10 anos a gente descobre.

Um comentário em “Revendo Seinfeld e The Office em 2018

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  1. Com certeza 2 das melhores séries! Mas ainda me divirto igualmente com as duas — é que sou mais velho de cabeça que você 🙂

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