A Floresta Sombria, de Cixin Liu ūüďĖ Leituras do Solari #173

Continua√ß√£o de O Problema dos Tr√™s Corpos amplia a escala da narrativa, indo de thriller tecnol√≥gico a invas√£o alien√≠gena e ampliando pondera√ß√Ķes sobre os rumos futuros da ci√™ncia e sociedade humanas.

Em o Problema dos Tr√™s Corpos Cixin Liu levantou um tema fascinante da ci√™ncia humana encontrando uma ‚Äúmuralha de conhecimento‚ÄĚ, uma incapacidade de entender leis qu√Ęnticas e avan√ßar como civiliza√ß√£o. E eis que √© uma muralha artificial, criada pelos trisolarianos, uma esp√©cie alien√≠gena que planeja conter o avan√ßo humano e est√° a caminho para invadir a Terra. S√≥ vai levar uns 400 anos para cruzar os 4 anos-luz de Alfa Centauri at√© aqui.

Os trisolarianos s√£o uma esp√©cie fascinante. Capazes de secar seus corpos para ‚Äúhibernar‚ÄĚ por s√©culos, uma vez que seu planeta tem uma √≥rbita exc√™ntrica entre tr√™s estrelas que causam cataclismas peri√≥dicos imprevis√≠veis. Tamb√©m se comunicam pelo pensamento, o que pensam √© necessariamente o que transmitem, ent√£o ficam fascinados – e apavorados – com uma capacidade que nem toda a sua tecnologia √© capaz de criar, mas uma arte que os humanos dominam facilmente: a arte de mentir.

√Č um tipo curioso de invas√£o, que vai chegar com certeza, mas s√≥ na √©poca do tataraneto do seu tataraneto. Ent√£o, de certa forma, a sua vida segue normal. Me lembrou a mentalidade que as pessoas t√™m com rela√ß√£o ao aquecimento global. Ah, vai aumentar dois graus em cem anos, at√© l√° j√° n√£o √© mais comigo. Mas mesmo assim a humanidade se movimenta planejando a defesa, al√©m de intrigas pol√≠ticas entre os pa√≠ses sobre quem vai conseguir fugir do planeta, e rixas entre pa√≠ses desenvolvidos e em desenvolvimento.

√Č uma guerra diferente de todas as outras que a humanidade enfrentou. Voc√™ tem que prever n√£o os seus recursos, mas qual ser√° a sua tecnologia quando o inimigo chegar em centenas de anos. Me lembrou a psicohist√≥ria de Asimov na s√©rie Funda√ß√£o, a necessidade de prever o futuro da sociedade em centenas e centenas de anos.

A humanidade se v√™ em grande desvantagem porque os trisolarianos estacionaram as pesquisas qu√Ęnticas ao infectarem nosso planeta com computadores espi√Ķes do tamanho de part√≠culas, os sophons. Eles tamb√©m tem a capacidade de ler toda a informa√ß√£o da terra, portanto o inimigo conhece cada detalhe e cada estrat√©gia humana. A √ļnica coisa que eles n√£o conseguem √© ler mentes. Ent√£o a humanidade cria os ‚Äúwallfacers‚ÄĚ, quatro pessoas com poderes de mover quantidades de recursos dignas de pa√≠ses para seguir estrat√©gias secretas que apenas eles conhecem, e assim n√£o podem ser conhecidas pelo inimigo.

Assim como no primeiro livro, achei que a narrativa tem alguns furos. Poder dos sophons, em particular, me parece enormemente diminu√≠do, n√£o levado √†s suas conclus√Ķes m√°ximas. Eles conseguem criar imagens nos olhos de todos os seres humanos, n√£o poderiam mudar todas as imagens que pudessem, ou cegar toda a humanidade? Como √© poss√≠vel um culto humano amig√°vel aos trisolarianos se os sophons sabem de tudo?

√Č interessante como o autor consegue ampliar o escopo do primeiro livro para esse. Vai de um thriller tecnol√≥gico para uma hist√≥ria de invas√£o planet√°ria, e a cada cap√≠tulo √© dado um novo salto da escala da hist√≥ria que ele est√° contando. Eu confesso que esses saltos me deixaram um pouco confuso devido √† grande quantidade de personagens, mas passei a tratar o livro como uma esp√©cie de rio que eu deveria conhecer o fluxo geral. H√° tamb√©m trechos bel√≠ssimos, como quanto um autor imagina uma personagem, criando toda a vida dela, e se apaixona, ela se tornando cada vez mais real aos seus olhos.

Alguns temas recorrentes são como um ato insignificante pode ser decisivo para a história da pessoa, do planeta, da civilização, do universo. De novo a ideia complementar e oposta do ying yang, tão central no primeiro livro, e de como o espírito humano pode vencer um adversário imensamente superior tecnologicamente.

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