Ela luta sumo 📺 Solari assiste

Ela Luta Sumo é um documentário curto da Netflix sobre Hiyori Konuma lutadora de sumô de 20 anos que busca reconhecimento profissional no esporte.

O sumô é um esporte extremamente tradicional no Japão, até com toques sagrados, os grandes lutadores são considerados semideuses. E as garotas que lutam sumô na escolinha e no colegial acabam parando por não ter uma liga profissional, apenas os homens se profissionalizam.

Como estudante de japonês, tenho admiração por muitos aspectos da cultura japonesa. A igualdade de gênero não é uma delas. Arrisco dizer que, dos países mais ricos, o Japão deve ser um dos que mais resiste a igualdade entre os sexos, com muito preconceito sobre os papéis de homens e mulheres sendo arraigado por centenas, milhares de anos e repercutindo até hoje.

Mulheres são banidas tradicionalmente do ringue de sumô por ele ser considerado um lugar “sagrado” e mulheres “impuras”, em um tabu que vai muito além de uma comparação com o nosso “mulheres não são boas em esporte ou jogam futebol”. Uma mulher entrar no rinque de sumô é mais análogo ao que seria martelar uma imagem de Nossa Senhora a uma sociedade cristã.

Fusae Ota, a primeira governadora do Japão, simplesmente não conseguiu permissão da associação de sumo para entregar a coroa de vencedor do campeonato, algo tradicionalmente feito pelos governadores. Em outro exemplo gritante, o prefeito Ryozo Tatami teve um ataque cardíaco no ringue enquanto fazia um discurso, uma enfermeira foi socorrê-lo e ouviu seguidamente dos juízes que devia deixar o ringue imediatamente.

A história de Hiyori mostra outra característica japonesa: a persistência. Conforme o documentário mostra um pouco mais de seu treinamento, sua busca por espaço no esporte que tanto ama e no qual não encontra espaço. Culminando em uma luta no campeonato feminino mundial, fora do Japão.

Ela Luta Sumo é um curta, e acho que o tamanho é suficiente para dar o impacto da história, sem alongar a estadia. Graças à repercussão do documentário, Hiyori esteve em 2019 na lista de mulheres mais inspiradoras da BBC e li que conseguiu uma posição como primeira mulher em um time profissional.

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