A Invenção de Hugo Cabret – de Brian Selznick 📖 Leituras do Solari #209

Livro transmite o fascínio dos primórdios do cinema através da história de um menino que precisa concertar um autômato que teria uma mensagem de seu pai

A Invenção de Hugo Cabret foi o livro que baseou o filme Hugo, dirigido por Martin Scorsese e vencedor de cinco oscars na cerimônia de 2012. A obra acompanha um menino chamado Hugo que vive na surdina em uma estação de trem parisiense nos anos 1930, enquanto tenta consertar um autômato que conteria uma mensagem de seu pai falecido. A trajetória de Hugo acaba se tornando uma homenagem ao nascimento do cinema, na qual a nova sétima arte fazia jus ao apelido de fábrica de sonhos.

O autor Brian Selznick encontrou uma forma engenhosa de transformar A Invenção de Hugo Cabret em uma espécie de livro-cinema-mudo. As ilustrações talvez cheguem a preencher metade do tomo, e não é raro páginas de texto serem compostas por umas duas frases apenas, lembrando os quadros narrativos dos filmes não-falados. Os próprios desenhos em preto e branco transmitem aquela sensação de iluminação prata dos primeiros projetores.

Isso me causou a ilusão de como se estivesse “lendo” um filme mudo, particularmente em cenas de perseguição como a de Hugo e o inspetor da estação, nas quais ilustrações são usadas em sequência. Ou ainda nos trechos em que é dado um zoom bem cinematográfico página a página rumo a um detalhe específico. O texto é enxuto, movendo a narrativa e criando uma atmosfera bem particular com grande economia de palavras. Verdadeiro tapa na cara do estilão mais descritivo da literatura, digamos, convencional.

É interessante como A Invenção de Hugo Cabret  relembra a glória do cinema em um momento no qual ele está em plena crise. Não posso falar sobre a qualidade visual do filme de Scorsese, pois não o assisti, mas a obsessão atual de Hollywood em enfiar o tal do 3D goela abaixo das plateias mundiais me parece uma tentativa de recuperar esse fascínio do cinema como fábrica de sonhos. Talvez também daí venha a onda de filmes sobre a história do cinema na época do longa, encabeçada por O Artista.

A Invenção de Hugo Cabret mostra uma época de maior ingenuidade, na qual a simples projeção de um trem parando na estação era suficiente para fazer a plateia fugir em pânico – como se ele fosse transpor a tela – quando hoje o público boceja ao ver um dinossauro recriado perfeitamente por gráficos computadorizados. Uma época morta na qual a ilusão do cinema era criada por mágicos, não por técnicos.

A versão Nacional é pela SM Edições, com tradução sem percalços. Não sei se a edição original é assim, mas uma crítica que faço é que a lombada do livro não dobra muito, tornando impossível enxergar direito as belíssimas ilustrações.

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