Midnight Mass 📺 Solari assiste

Midnight Mass é uma minissérie da Netflix criada por Mike Flanagan, responsável também por A Maldição da Mansão Bly. A história acompanha uma comunidade de uma pequena ilha de pescadores isolada na costa dos EUA que recebe a visita de um jovem padre no lugar do antigo sacerdote idoso da comunidade, que saiu em peregrinação.

Acompanhamos principalmente a história de Riley, um nativo da cidade que saiu da ilha com a promessa de se tornar o rei das startups, mas que perdeu tudo ao alcoolismo, resultando em um acidente dirigindo embriagado que causou a morte de uma menina, e em sua condenação de 4 anos no presídio.

Desse início parte-se para um lento e gradual desenrolar de uma história de horror e fanatismo religioso em uma cidade supostamente normal. Eu digo lento e gradual porque é um erro entrar na série esperando uma história de horror. Ela não tem pressa nenhuma para avançar, e muitos episódios poderiam ser considerados “arrastados” se não fossem, na minha opinião, muito bem escritos e coubessem para ampliar o impacto dos acontecimentos. Mas esteja preparado para, por exemplo, monólogos de vários e vários minutos sobre a natureza da morte e dogmas religiosos.

É difícil entrar muito em detalhes da narrativa de Midnight Mass sem spoilers. Mas diria que um dos pontos fortes da série é como ela combina conceitos tradicionais de monstros do horror que conhecemos com a doutrina e iconografia católica, em particular com relação a anjos, o sangue de Cristo e a ressureição.

Essa contraposição entre como a audiência interpreta o que acontece e a visão dos fatos pela lente religiosa – com uma argumentação muito bem construída. Tanto o padre Paul e a crente fervorosa Bev soltam argumentos tão incisivos que até mesmo assistindo acaba se sentindo levado pela argumentação que pode justificar qualquer ato, até assassinato.

Bev, personagem extremamente bem atuada pela atriz Samantha Sloyan, é aquele tipo de fanático que consegue dobrar com destreza as palavras da escritura para justificar a sua vontade, que usa a argumentação como arma para conquistar súditos e dobrar adversários. A realidade de Bev chega até a ser mais assustadora, na minha opinião, do que o terror sobrenatural da série, por ser aquela pessoa de fé aparentemente normal que esconde o fogo da inquisição no coração e te queimaria por seus pecados na primeira oportunidade.

Outros temas muito presentes é o alcoolismo, na verdade o vício em todas as suas formas, seja ele de substâncias ou por poder, e principalmente a redenção. Midnight Mass é uma história de suspense sem pressa, que recompensa os pacientes dando novos significados a clichês do terror.

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