Nomad, de Matthew Mather 📖 Leituras do Solari #152

“Solari, onde vocĂȘ ouvir falar desse livro?”. Se eu tivesse um centavo para cada vez que eu ouvi essa pergunta eu provavelmente teria mais de um real a esta altura. A resposta pode ser que li em um artigo, que alguĂ©m sugeriu, que eu li dentro de outro livro, que o autor morreu, ou que eu encontrei o livro mencionado dentro de outro livro, ou eu encontrei o cenĂĄrio do livro dentro de um software de simulação do Universo.

Temos muitas histĂłrias de asteroides se chocando contra a Terra, mas o que me atraiu em Nomad Ă© que ele trĂĄs um cenĂĄrio ainda mais assustador: imagine se um fucking buraco negro de 30 vezes a massa do Sol passa de raspĂŁo pelo sistema solar e ferra todo o equilĂ­brio gravitacional entre os planetas.

Essa ideia fascinante de um objeto de massa gigantesca ferrando com o sistema solar como uma bola de canhĂŁo caindo numa mesa de bilhar. Em particular como a influĂȘncia gravitacional se torna bem maior que a da lua e cria variaçÔes imensas nas marĂ©s e ondas de centenas de metros, alĂ©m de rachar a crosta terrestre feito a casca de um ovo.

Os personagens tem certa dimensionalidade, como o cientista genial que pode ter descoberto o buraco negro Nomad hå décadas, um barão italiano que paga de galã e uma veterana de guerra com uma perna postiça que faz vídeos de ação no YouTube. A história em si acompanha tal cientista, sua esposa e filha, a tal moça dos vídeos do YouTube, a se reunirem em um castelo na Toscana. Mas, infelizmente, achei que essas ideias foram menos utilizadas do que eu gostaria e a narrativa se apegou mais a um thriller meio bizarro envolvendo feudos entre famílias italianas, por incrível que pareça.

Nomad Ă© um daqueles livros que acabou mais me lembrando de livros semelhantes melhores. A psicologia do apocalipse iminente, por exemplo, foi na minha opiniĂŁo melhor trabalhado em livros como O Último Policial.

Acho que esperava um livro diferente de Nomad, Ă© muito mais sobre uma histĂłria bem particular com o pano de fundo de Nomad em um cantinho da ItĂĄlia com um thriller com personagens que, francamente, nĂŁo me importava muito o que aconteceria com eles, mas queria ver o aspecto mais amplo do desastre global, o que acontecia apenas de relance.

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