Will, de Will Smith 📖 Leituras do Solari #210

Autobriografia de Will Smith, um ator que dispensa apresentações, um dos maiores astros de Hollywood: Homens de Preto, Eu Robô, Eu Sou a Lenda, Bad Boys, à Procura da Felicidade, Independence Day, sem falar no sucesso na TV de O Maluco no Pedaço e a carreira como um dos primeiros grandes astro internacionais do hip hop.

O livro começa na infância como filho de uma família de classe média da Filadélfia. Franzino e assustado, Will evoluiu seu senso de de humor e habilidade para contar histórias – que o ajudariam muito posteriormente na carreira de ator – como mecanismo de defesa para tentar agradar aos outros e evitar conflitos.

Na infância, Will também adquiriu uma mistura de mentalidade militar de seu pai, que, apesar da relação ambígua que ele teria com o pai, colocaria uma mentalidade de perseverança que pode ter sido determinante no seu sucesso.

Da habilidade de contar histórias, foi um passo para passar a cantar as histórias, e Will embarcou no movimento de hip hop e rap que nascia nos EUA dos anos 1980. Eu na verdade “li” a versão em audiolivro narrada pelo próprio Will Smith, e acho que o livro inteiro se enriqueceu pra mim por ter ele contando a sua própria história, mas em particular no momento da carreira do hip hop, por incluírem trechos de músicas como referência.

Alguns trechos dessa parte são incríveis, como ele e DJ Jazzy Jeff – o Jazz de O Maluco no Pedaço – torrando US$ 300 mil em festas em um estúdio nas Bahamas sem gravar o álbum que deveriam. Assim como as turnês com o Public Enemy, que tinham como parte da atração colocar um ator com trajes da Ku Kux Klan para ser enforcado no palco.

Após um sucesso estrondoso, a carreira musical afundou, até que veio a oportunidade de fazer um teste para um show de TV. O teste em si foi daquelas maluquices que só devem mesmo acontecer em Hollywood, Will estava do outro lado do país em Chicago e foi chamado por Quincy Jones para ir à sua festa de aniversário em Los Angeles. No mesmo dia. Chegando lá direto do aeroporto, Quincy joga um roteiro pra Will e começa um teste no meio da festa. Sendo que Will nunca tinha atuado antes na vida! “Quando me perguntam se seu sei fazer algo, eu sempre respondo ‘sim’. “

Do sucesso da TV, veio a aposta no cinema. E num período entre Bad Boys (1995) e Depois da Terra (2013), Will foi um dos atores mais rentáveis de Hollywood. Essa é a parte da sequência de Scarface quando eles começam a praticamente imprimir dinheiro ao som de “Push it to the limit”.

Porém a fachada de sucesso não significada que a vida pessoal de Will era perfeita. A mentalidade militar de busca de perfeição não se traduz perfeitamente quando você precisa demonstrar afeto em sua família. E no livro ele vai destrinchando como foi preciso reencontrar essa relação com os sentimentos.

Um dos momentos marcantes é o aniversário surpresa de 40 anos que ele planejou para sua esposa, Jada Smith. Will é fã da história de Taj Mahal, que é um mausoléu construído no século 17 de um sultão para a sua concubina favorita. E Will pensou algo tão grandioso quanto para a esposa, fez um evento de diversos dias para dezenas de convidados com tudo pago e apresentações de música, dança. Ele até contratou uma equipe de filmagem para fazer um documentário sobre a história familiar de Jada. Tudo muito lindo, mas um exagero tão grande que virou mais uma egotrip de como ele é um marido incrível do que uma comemoração da sua esposa.

A terceira metade do livro acompanha Will em uma típica crise de meia idade. Bem, típica se você for um dos astros de cinema mais bem pagos e famosos do mundo. Ao invés de simplesmente comprar uma lancha, Will compra mansões, viaja o mundo, vai provar ayahuasca com xamãs do Peru, culminando em saltar de bungee jump de um helicóptero sobre o Grand Canyon.

Fora do livro, esse momento crise de meia idade pode ser encontrado em uma série que ele fez pro YouTube chamado “The Best Shape of My Life”, que ele gravou justamente enquanto ainda escrevia o livro.

Poucas coisas são mais chatas do que uma autobiografia não sincera, mas, neste caso, mesmo se não for sincera, ela não tem nada de chata. E eu não sei o quanto Will é sincero em sua autobiografia, uma vez que ele é uma das pessoas mais carismáticas do planeta e provavelmente conseguiria te convencer a vender a sua mãe por 10 reais.

“O que você conhece por Will Smith na verdade é um personagem cuidadosamente criado.” E por isso é difícil ainda saber o quanto o próprio livro é um personagem. Mas, no final, o que nós entendemos por personalidade não deixa de ser um personagem que nós criamos para nós mesmos, para nossa família, para as pessoas à nossa volta. Ator é só uma pessoa que recebe pra isso.

Mas o livro no livro ele abre o coração para diversas de suas falhas e mostra o ser humano, muitas vezes triste e inseguro, dentro do astro hollywoodiano.

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