A Fire Upon the Deep, de Vernor Vinge 📖 Leituras do Solari #187

“Intelligence is the handmaiden of flexibility and change. Dumb animals can change only as fast as natural evolution. Human equivalent races, once on their technological run-up, hit the limits of their zone in a matter of a few thousand years. In the Transcend, superhumanity can happen so fast that its creators are destroyed. It wasn’t surprising then that the Powers themselves were evanescent.”

A Fire Upon the Deep Ă© um livro lançado em 1992 e vencedor do prĂȘmio Hugo. Ele tem uma ambientação interessante, com a nossa galĂĄxia dividida por “zonas de pensamento”. Quanto mais prĂłximo do centro da galĂĄxia, mais lento Ă© o pensamento e tecnologias avançadas nĂŁo funcionam. Em contrapartida, nas extremidades da galĂĄxia habitam entidades com inteligĂȘncia e poder anĂĄlogo Ă  de deuses. Drives mais velozes que a luz, que tornam a viagem intergalĂĄtica possĂ­vel tambĂ©m nĂŁo funcionam muito prĂłximo ao centro, deixando as civilizaçÔes dessa regiĂŁo praticamente isoladas.

As zonas se dividem assim:

Unthinking Depths – Área prĂłxima ao centro da galĂĄxia onde a inteligĂȘncia Ă© praticamente impossĂ­vel de existir.

Slow Zone – RegiĂŁo onde a Terra fica, com limitaçÔes de tecnologia e velocidade de viagem.

Beyond – Área que se formou uma “civilização de civilizaçÔes”, unidas por uma espĂ©cie de Intranet galĂĄctica e possibilidade de viagem e comĂ©rcio.

Transcend – Área de civilizaçÔes que ascenderam se tornando entidades absurdamente poderosas. Entidades tĂŁo poderosas que pensam o equivalente a todo processamento computacional da histĂłria da humanidade em poucos segundos.

Eu achei fascinante essa ideia de uma limitação fĂ­sica aos limites da inteligĂȘncia. Ir ao centro da galĂĄxia Ă© quase como mergulhar com um submarino em um oceano com limites cada vez maior na pressĂŁo do casco.

E o autor descreve muito bem os perigos que podem vir do Trancend, com humanos acordando algo que pode destruir o universo. E gosto muito como ele descreve a ameaça que é algo que em cinco segundos produz mais informaçÔes que cinco bilhÔes de anos da civilização humana. Por mais que se passe apenas alguns momentos, é como se a entidade tivesse pensado por eras e eras. Para uma AI com processamento suficiente, o tempo da maneira que os seres humanos o compreendem é irrelevante.

O autor tambĂ©m cria uma das mais interessantes raças alienĂ­genas que eu vi na literatura, os Tines, uma raça de cachorros conscientes cujas mentes se unem numa matilha. Cada “cĂŁo” Ă© incapaz de pensamento inteligente individualmente, mas se torna uma “pessoa” com a uniĂŁo de 6 a 8 cĂŁes, sendo que cada uma contribui para a identidade do indivĂ­duo. Merge de mentes.  A morte na verdade Ă© uma transição constante entre diferentes integrantes, conforme os membros individuais da matilha vĂŁo morrendo. E o autor captura bem essa transitoriedade de essĂȘncia.

A Fire Upon the Deep tem uma alternùncia de escala muito interessante. Um capítulo lida com milhares de civilizaçÔes interagindo, o próximo com um mundo ainda em estado medieval. O livro também tem um curioso sistema de conversas por messageboards, tipo uma internet galåctica.

Minhas crĂ­ticas seriam que o livro Ă© um pouco louco, e o final me foi um pouco anticlimĂĄtico, mas gostei da leitura desse livro ambicioso pelas Ăłtimas descriçÔes de super-inteligĂȘncias e raças alienĂ­genas criativas.

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