Good Omens: Belas Maldições – por Neil Gaiman e Terry Pratchet 📖 Leituras do Solari #167

Sátira sobre o apocalipse e chegada do anticristo de dois grandes escritores britânicos é repleta de sacadas irreverentes e personagens improváveis

Lançado em 1990, e recentemente transformado em série pela Amazon Prime, Good Omens é uma espécie de sonho da literatura nerd, juntando nada menos que Neil Gaiman e Terry Pratchet, autores de Sandman e Discworld, respectivamente.

O livro acompanha um anjo (Aziraphale) e um demônio (Crowley), representantes na Terra do céu e inferno. Eles têm aquela camaradagem de soldados de lados opostos com mais em comum entre si do que com seus generais, mandando ordens de longe das trincheiras. Ao descobrirem que o final dos tempos está próximo pela chegada do anticristo, decidem tentar atrasar o apocalipse para poderem desfrutar um pouco mais da vida terrena.

O bebê do anticristo, que deveria ser introduzido às artes do mal por satanistas, é trocado pela dupla e se torna um garoto normal de 11 anos na chegada do fim do mundo. Gostei muito dos períodos do ponto de vista dele, com aquela ingenuidade infantil que só faz parecer mais ridículo o mundo adulto.

Good Omens está repleto de humor negro, sacadas irreverentes e personagens improváveis. Fome, um dos motoqueiros do Apocalipse, é um escritor de livros de dieta. A bruxa Agnes Nutter deixou do século 17 previsões ridiculamente precisas sobre o mundo moderno, mas envoltas em linguagem críptica demais até para os padrões dos profetas. Temos demônios aprisionados em secretárias eletrônicas. Fitas esquecidas em rádios que se tornam magicamente um “best of” do Queen. Aziraphale é tão bonzinho que não consegue mentir na declaração do imposto de renda – o que faz com que seja investigado constantemente, afinal quem não mente na declaração de imposto de renda? Além de descrições excelentes, como a da Guerra:

“Ela era linda, mas da forma que um incêndio florestal é lindo: algo a ser admirado de longe, não de perto”.

Gostei muito de como o livro desmistifica a aura do Apocalipse bíblico e mistura referências dos filmes como A Profecia e O Exorcista. Um dos meus trechos favoritos é como o rottweiler infernal enviado pelo capeta para ser o guardião de seu filho se torna um pacato terrier por desejo do garoto, que ainda o batiza simplesmente de “cachorro”.

Não tem erro, Good Omens é engraçadíssimo e me fez passar vergonha mais de uma vez rindo alto no metrô.

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