Pequeno Irmão, por Cory Doctorow 📖 Leituras do Solari #164

Um romance “young adult” sobre o enfrentamento entre liberdade e segurança no qual a história é refém da política do escritor

Little Brother (No Brasil “Pequeno Irmão”; Galera Record) acompanha a história de Marcus Yallow, estudante de 17 anos de São Francisco que manja tudo de tecnologia, que é detido por forças de segurança dos EUA após um ataque terrorista inexplicado. Depois de passar dias em uma prisão secreta, ser humilhado e forçado a entregar suas senhas de todas suas redes sociais e acesso a seus computadores, Marcus é liberado e se encontra vivendo em um Estados Unidos bem diferente. Um país que para todos os efeitos se tornou um estado policial no qual as pessoas estão dispostas a abrir mão de seus direitos em troca de um falso senso de segurança. Os cidadãos são vigiados a todo momento e são considerados culpados até que provem sua inocência.

Marcus então se torna o líder secreto de um movimento rebelde de jovens que entram em uma ciberguerra de para derrubar os braços de segurança interna do governo. Começa uma batalha de informação, desinformação, hackeamento, tecnologia e criptografia. O livro também lida com o tema bem “young adult” de choque de gerações, traçando paralelos entre os momentos de luta pela liberdade civil nos anos 1960 e 1970.

Little Brother praticamente não é ficção científica. Ele pode apelar ao mesmo público-alvo e lida com muita tecnologia, mas são tecnologias que já existem ou muito próximas de existirem. O livro é mais um thriller de hackers do que sci fi.

O autor Cory Doctorow conseguiu capturar com precisão assustadora a nossa atmosfera presente de medo pela espionagem constante dos EUA. Um feito considerando que o livro é de 2008, pré-escândalo Snowden, no qual o ex-agente da CIA denunciou os tentáculos onipresentes da vigilância americana.

O problema que eu tive com Little Brother é que o livro parece mais preocupado em passar a agenda política antivigilância do escritor do que contar uma boa história. Por mais que eu concorde com ela com quase os pontos que a obra levanta – e acho que o tema liberdade s. segurança será um dos temas definidores do século 21 – existe uma linha que separa um romance e um panfleto propagandista, e Little Brother atravessa essa linha. Prefiro de livros que me levantem perguntas ao invés de respostas.

O livro tem grandes passagens de “infodump”, quando é preciso explicar novas tecnologias ou processos ao leitor. Coisas do tipo como o protagonista criou uma versão “paranóica” de Linux no seu Xbox ou a vida de um matemático do século 18 que criou um conceito usado na analise em massa de dados.

Eu achei bem interessante, mas, novamente pareceu ficar um pouco no caminho da trama em si, que achei um dos pontos mais fracos do livro. Como o final deus ex machina no qual uma situação antes desesperadora parece se resolver de forma fácil demais.

No final, achei Little Brother um bom thriller tecnológico que se destaca pela atmosfera de paranoia, mas peca um pouco pela mão pesada na panfletagem política.

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