Neurocomic [HQ], de Matteo Farinella e Hana Ros ūüďĖ Leituras do Solari #134

Uma HQ didática de biologia cerebral em formato de viagem nonsense ao estilo Alice no País das Maravilhas

Povo que me v√™ postando no Instagram cart√£ozinho de estudo de japon√™s √†s 6h da manh√£ pode achar que eu fui um √≥timo aluno na escola e faculdade. Mas a realidade foi a oposta. Sempre fui um p√©ssimo aluno no sistema convencional de ensino, mal fazendo o m√≠nimo necess√°rio. Repeti o primeiro colegial e acumulei depend√™ncias na faculdade por alguns anos depois que deveria estar formado. A palavra “sofr√≠vel” vem √† mente.

Mas sempre fui extremamente curioso. Eu lembro de um dia, acho que oitava s√©rie, que eu tinha uma prova de matem√°tica que n√£o poderia ir mal de jeito nenhum e estava mais preocupado em decorar o alfabeto grego em uma enciclop√©dia. Por que diabos o alfabeto grego? N√£o sei. S√≥ lembro que estava curioso. Quando a Wikip√©dia apareceu eu tentei, sem brincadeira, “ler A Wikip√©dia”. Inteira. N√£o deu muito certo. Demorou um tempo pra entender que eu sou um excelente aluno, mas pro me interessa. E por experi√™ncia posso dizer que muita coisa doida sem aplica√ß√£o pr√°tica nenhuma me interessa.

A HQ Neurocomic me  lembrou essa história porque acho que seria o tipo de maluquice que eu adoraria ter nas minhas mãos em uma aula de biologia quando era adolescente. Ela pode ser descrita como um quadrinho bem didático de ensino do funcionamento do cérebro feita com cuidado por dois neurocientistas renomados, mas com o estilo de arte como se um deles tivesse fumado cogumelo. Na história, um homem vai todo animado de encontro a uma mulher bonita e acaba caindo dentro do próprio cérebro. E ao tentar sair dele conhece pensadores que estudaram o órgão ao longo dos anos e maluquices como lulas sinápticas e lesmas que tocam banjo.

Para mim essa estranhice toda n√£o pareceu ser algo gratuito, mas salienta como o c√©rebro √© mesmo uma m√°quina maluca – um supercomputador aquoso de meio quilo com mais neur√īnios que estrelas na gal√°xia – e o qu√£o pouco n√≥s sabemos sobre ele. O nonsense tamb√©m ajuda a encaminhar a discuss√£o gradualmente do biol√≥gico para o filos√≥fico, chegando na natureza da identidade e consci√™ncia.

Eu pensei qual seria o p√ļblico alvo de Neurocomic. Crian√ßas que tomaram √°cido foi a primeira ideia que veio √† minha cabe√ßa, mas n√£o sei se existe um mercado editorial muito amplo para esse segmento. No final decidi que o p√ļblico alvo fui eu, ou malucos curiosos como eu que preferem estudar grego no dia da prova de matem√°tica. Bom saber que existe mais de n√≥s por a√≠ pra justificar publicar um livro.

Obs: Esse livro foi enviado para o blog e canal Guilherme Solari Tube pela editora Darkside.

Deixe um coment√°rio

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Voc√™ est√° comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Voc√™ est√° comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Voc√™ est√° comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Voc√™ est√° comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em coment√°rios s√£o processados.

Blog no WordPress.com.

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: