Noite Infeliz – por Seth Grahame Smith đź“– Leituras do Solari #132

Livro reimagina papel dos três reis magos no nascimento de Jesus, reconstruindo-os como bandidos sanguinários em história com sabor de faroeste da Judeia

Noite Infeliz é o novo livro de Seth Grahame-Smith, autor de Orgulho Preconceito e Zumbis e Abraham Lincoln: Caçador de Vampiros. O escritor, que pode ser descrito como um “revisionista do horror” de episódios históricos ou clássicos literários, parte da seguinte premissa em Noite Infeliz: e se os reis magos que visitaram Jesus após o seu nascimento fossem três bandidos sanguinários?

No livro, Baltazar é conhecido como O Fantasma de Antióquia, um ladrão e assassino de infâmia lendária na Judéia, que tanto viveu por como cometeu atrocidades. Pouco após ser aprisionado pelas tropas do rei Herodes, ele acaba escapando da prisão com os também nada inocentes Gaspar e Melchior. O trio busca refúgio em uma manjedoura onde encontram um carpinteiro chamado José com sua mulher, Maria, e um filho recém-nascido. Eles próprios também fugitivos.

Noite Infeliz é um livro com uma surpreendente quantidade de ação, com lutas de espada e perseguições no deserto. Sob pano de fundo da história, acontece o Massacre dos Inocentes, no qual o rei Herodes teria ordenado a morte de todas as crianças de Belém para evitar o cumprimento da profecia da chegada do Messias do Antigo Testamento.

E Seth Grahame-Smith não põe restrição alguma na violência brutal que no final das contas está na própria Bíblia. O que ele faz é ser bem gráfico e minucioso nas descrições de costelas se abrindo “como aranhas brancas de osso”, tendões se dilacerando, braços decepados e recém-nascidos com as barrigas varadas por espadas.

Os personagens são um dos dos pontos altos de Noite Infeliz, ganhando dimensões que saltam da história. Baltazar é cínico com relação à religiosidade, Herodes um fascínora sem remorsos e Pôncio Pilatos um jovem ambicioso, mas com um forte senso de honra.

A história recria de forma bem convincente o período histórico, mas com um tom de faroeste, com terras tomadas por déspotas sádicos e em que os bonzinhos são na verdade apenas os menos malvados. Noite Infeliz também é o livro em que Grahame Smith mais toma liberdades com a história original, equilibrando doses precisas de relato bíblico e misticismo. Boa leitura.

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