Guerra Mundial Z, de Max Brooks 🗃 [Arquivo] Leituras do Solari #5

Guerra Mundial Z (World War Z: An Oral History of the Zombie War), de Max Brooks, visita de uma maneira inusitada o bom e velho cenário pós-apocalíptico: ele é um livro reportagem que entrevista os sobreviventes da invasão zumbi que assolou o planeta no começo do século 21. Não assisti ao filme posterior com Brad Pitt, mas pelo que ouvi o filme e livro têm apenas duas coisas em comum: o nome e zumbis.

Esse estratagema de entrevistas no livro – que tem até um subtítulo de ares acadêmicos, “uma história oral da guerra zumbi” – dá uma sensação de realidade que talvez uma narrativa convencional não atingiria. As personagens “entrevistadas” vão desde pessoas comuns, perdidas em meio a uma situação que rapidamente fugiu ao controle, a grandes autoridades, como o ex-presidente dos EUA e generais chineses, cada um empurrando a culpa para os outros. O chefão da CIA chega até mesmo culpar “a administração que iniciou a guerra do Iraque” pelo ocorrido.

A epidemia retratada no livro começa na China, próximo à represa de Três Gargantas. O governo chinês hesita em passar informações para a população com medo de perder a estabilidade social e tenta controlar a situação na linha dura, com tropas de elite para “limpar” os infectados e suspeitos de infecção, com uma injeção de chumbo na testa.

Os zumbis do livro são do estilo clássico, como os idealizados pelo diretor George Romero em filmes como Noite dos Mortos Vivos e suas continuações. Nada de correrias como em filmes mais recentes como Eu Sou a Lenda e Extermínio. Os mortos-vivos aqui andam devagar, e leva dias ou até semanas para um infectado se tornar um zumbi.

A obra de Max Brooks tem uma característica que eu aprecio muito na fantasia e ficção científica: usar um mundo fantasioso para falar do nosso. Salvo o absurdo de uma praga zumbi, a burocracia, despreparo e corrupção das autoridades mundiais poderiam causar uma catástrofe dessa magnitude em um caso de pandemia de qualquer doença, como de gripe aviária, por exemplo. E tome generais mais preocupados em parecer bem na mídia do que ajudar a população, vacinas com os quais a indústria farmacêutica ganha milhões que se revelam ser placebos e assim por diante.

Nem mesmo a gente escapou da ameaça zumbi. Uma seção à parte dessa resenha à parte precisa ser dedicada ao tratamento que o “Brazil” recebe no livro, confirmando muito da mitologia criada pelos gringos sobre nossa terrinha. Em primeiro lugar, o jornalista/narrador vai até a Amazônia, para uma aldeia “yanomami” que resistiu à praga dos mortos-vivos pois “eles constroem suas aldeias nos topos das mais altas árvores”. Raios, eles são ianomâmis ou ewoks?

Abaixo, uma breve foleada na minha edição.

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

Crie um website ou blog gratuito no WordPress.com.

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: